“Com o empoderamento feminino tão em alta, muitas mulheres estão olhando mais para si e se permitindo explorar o próprio prazer. As mulheres também saem na frente por terem essa ‘permissão’ de aprender mais sobre a sexualidade. O que a cultura reprime nos homens, como se eles não pudessem ter dúvidas sobre o sexo. As mulheres, muitas vezes, também se preocupam mais com o prazer do outro e em como se aperfeiçoar para dar esse prazer. E geralmente são elas que procuram acessórios que ajudem a apimentar a relação, sair da rotina ou mesmo dar mais prazer para ambos”. Sextoys inteligentes, streamings de áudio erótico, cosméticos veganos e vibradores controlados a distância já são realidade em todo o mundo, criados para estimular a vida sexual e despertar novas formas de intimidade e autocuidado.
Metade das brasileiras não está satisfeita com vida sexual. Como resolver?
Preferências A pesquisa afirma ainda que as categorias mais procuradas pelas mulheres que consomem pornografia na internet são “lésbicas”, “trios” e “squirt” (ejaculação feminina). Vibradores continuam sendo os queridinhos do público, na liderança absoluta, mas começam a dividir a preferência com os cosméticos sensuais e os masturbadores. A pesquisa identificou um crescimento de 40% na venda de vibradores de alta tecnologia, principalmente com dispositivos e aplicativos que permitam o funcionamento à distância. “O Lush 2, trazido ao Brasil pela Ketter 8, é um exemplo de vibrador teledildonic que apontamos como tendência para 2021”, afirma. A saída encontrada par mais da metade (57,9%) foi melhorar a presença na internet, principalmente com curadoria e produção de conteúdo informativo sobre o uso dos produtos. De acordo com Aguiar, esse movimento gerou uma alta na demanda por cursos de formação para capacitar os empresários na geração desse tipo de conteúdo.
Mulheres brasileiras são as que mais veem pornografia, diz pesquisa
Nos últimos anos, por exemplo, nomes como Amaro, Renner, Beleza na Web, Magazine Luiza e Beautybox aderiram ao movimento e lançaram em suas plataformas uma categoria específica para os produtos do setor. O movimento não é de agora, mas ganhou força durante a pandemia e, para especialistas e empresários, passa a ser uma forte tendência no setor. Segundo um levantamento feito pela Cortex Intelligence, por exemplo, o número de empresas de bem-estar sexual abertas no Brasil bateu um novo recorde em 2022, com 1.068 novos empreendimentos – uma alta de 34,7% em comparação ao ano anterior.
Liderança feminina
“A presença feminina no setor é cada vez mais forte, com empreendedoras abrindo novos negócios e fugindo da imagem estereotipada sobre satisfação e bem-estar. Isso faz muita diferença, porque elas sabem quais são as dores e necessidades umas das outras”, explica. Dobner afirmou que a intenção de sua empresa é criar um nicho de entretenimento adulto com um produto mais assessível para mulheres e casais. Em 2021, cerca de 81,6% dos entrevistados acreditam que vão crescer mais, sendo que 40% apontam para uma média de 20% a 30% de expansão. “Os empresários do mercado erótico absorveram muito bem as mudanças, uma vez que 97,1% se dizem preparados para o possível prolongamento do lockdown”, afirma a especialista.
Um dos exemplos citados pela especialista foi o da empreendedora Camila Reis, dona da Milla SexCoach e Sex Shop, de Assis (SP). Ela passou a oferecer consultorias online de como decorar a casa para parecer um motel e conseguiu aumentar as vendas de artigos para ambientação sensual. Outro case mencionado por Aguiar foi o de Cláudia Petry, fundadora da Sussurra Boutique, em Joinville (SC), que realizou um bazar erótico pelo WhatsApp e faturou mais de R$ 6 mil em apenas três horas. Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Nesses lugares o clima de clandestinidade dá lugar a ambientes bem iluminados, com muitas plumas e paetês, lingeries de todos os modelos e vendedoras dispostas a ouvir atentamente qualquer dúvida – e esclarecê-la. É assim na Revelateurs, inaugurada em 2000 por Ana Maria Faro, em Moema, bairro de classe média de São Paulo.

O debate ainda abordou o consumo de outras mídias como contos e livros eróticos, mostrando que o universo erótico tem muito mais a oferecer do que apenas filmes pornôs. Pablo Dobner alega que o único propósito do estudo é promover os sites pornográficos gratuitos na internet. Todas as estatísticas que mencionam são para favorecer o consumo consolo Pênis e o tráfego em suas páginas. “Há uma demanda, mas a maioria das mulheres quere algo muito mais sincero, limpo e sexualmente inteligente em relação ao que é possível encontrar na maioria dos outros portais”, afirmou. Estes foram os termos usados em buscas por conteúdo mais populares entre as mulheres no último ano, segundo o Pornhub.
Para os fundadores da Pantynova, parte dessa evolução também inclui atender públicos de diferentes corpos e faixas etárias. “Falamos muito das novas gerações, mas também temos um público mais maduro que começa a se interessar e até a mudar a forma como enxerga a sexualidade e o prazer”, afirma Heloisa Etelvina, uma das cofundadoras da companhia. Também há uma polêmica relacionada ao tipo de conteúdo que as mulheres preferem ver. Mas Dobner reconhece que as cenas de sexo entre lésbicas são materiais com os quais elas podem se sentir mais confortáveis – porque essas cenas mostram exclusivamente mulheres tendo prazer. Ele chama de outros portais justamente sites como Pornhub e Redtube, seus concorrentes diretos, que oferecem conteúdo gratuito.
Foram vendidos mais de um milhão de vibradores na quarentena e este período trouxe clientes que estavam fora do escopo do mercado. São pessoas que, se não fosse a pandemia, talvez não pensassem em comprar estes produtos. De acordo com o portal Mercado Erótico, 76% das 135 empresas pesquisadas cresceram durante o período, com alta média de 10% nas vendas. Parte do que caracteriza a mudança vista nesse mercado é o surgimento de produtos e serviços mais inovadores na indústria do sexo.
No Brasil, ainda há um tabu muito grande em levar produtos para uma gôndola física no meio da loja. Acredito que a educação sexual ainda é um grande obstáculo nesse sentido, mas é uma questão que tende a ser derrubada”, diz. O podcast foi uma oportunidade para discutir temas relevantes do mercado adulto e desmistificar certas ideias preconcebidas. Além disso, o episódio mostrou que o consumo de pornografia não deve ser um tabu, mas sim um assunto aberto ao debate e à reflexão. Leandro explicou que o filme pornô não foi feito para mulheres consumirem, e é por isso que algumas produtoras femininas criam conteúdo especialmente para esse público.
Fundada em 2019 por Marília Ponte, a empresa faturou quase R$ 450 mil logo no primeiro ano – o suficiente para que a empreendedora largasse o emprego anterior e investisse todas as suas fichas no mundo dos negócios. “Não é só sobre o sexo, mas sobre o nosso bem-estar e direito de sentir prazer. Comida junk x gourmet A empresa Erika Lust Films também não tem uma base técnica para saber o que as mulheres gostam. Eles se focam em trabalhos feitos por mulheres, que têm um mercado crescente.
“As mulheres estão buscando mais prazer feminino e reivindicando que o homem não é o único que tem de desfrutar do sexo e que elas também querem sua parte do sexo recreativo, que esteve proibido para elas por tanto tempo”. A conclusão é que o número de mulheres que entram nos sites triplo X aumentou e o que elas mais buscam nesses ambientes são situações que reflitam o prazer feminino. O Pornhub e o Redtube são dois sites de internet que oferecem conteúdo pornô grátis – apesar de terem conteúdo “premium” por meio de assinaturas. Mas ainda que vários setores desta indústria concordem que o consumo do produto entre as mulheres aumentou, alguns produtores de pornografia com perspectiva feminina, como Erika Lust Film, dizem que a sondagem do Pornhub e do Redtube não é científica e questionam os resultados. A média mundial é de 10 minutos e 10 segundos para as mulheres, e 9 minutos e 22 segundos para os homens. Dissolvendo eventuais estereótipos, a clientela da loja é formada majoritariamente por mulheres casadas, de classe social alta, na faixa dos 40 anos.
Ao contrário do que muitos imaginam, o objetivo não é substituir o parceiro, mas temperar o relacionamento. Já são 238 mil seguidores nas redes sociais, mas ela conta que o caminho até aqui não foi fácil. “No começo sofremos muito com machismo desse mercado. Nossas ideias eram rechaçadas pelas empresas que forneciam os produtos porque elas não achavam necessário que as coisas fossem diferentes”, explicou. “Muitas pessoas veem esse movimento como uma afronta à família tradicional brasileira, mas não é assim. Na Europa, por exemplo, vemos vibradores e lubrificantes sendo vendidos em farmácias e até no banheiro do aeroporto. Evoluímos bastante nos últimos dez anos, mas é um mercado que ainda engatinha”, conclui.
